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| "1963 X 2012" ou "1963 = 2012" |
Pense-se na promoção social das populações,
de que vemos gentes de vários feitios ocupar-se por formas diversas e com
intenções diferentes, e logo se sente que pouco ou nada poderá fazer-se, se
essas populações não forem promovidas economicamente.
Fale-se em consciencialização política ou
esclarecimento cívico dum povo, para o habilitar a exercer direitos consignados
na lei, e imediatamente se vê que a quem se aplica não tem um nível económico
exigido.
Lembre-se a instrução, indispensável ao
homem moderno, urgindo sobretudo onde ela tem de começar pela alfabetização de
milhões de pessoas, ao mesmo tempo que deve exercer-se também em graus
superiores, para constituição de elites intelectuais e formação profissional, e
logo nos assustaremos de pensar o que haverá de ser ocupação adequada de quantos
forem saindo das escolas, dos institutos, dos liceus, das faculdades
universitárias, se um vasto programa de instrução não for acompanhado, apoiado
e justificado por um surto simultâneo de desenvolvimento económico.
Veja-se como será inválida qualquer actividade
séria no campo da saúde e da higiene, se a massa populacional sobre a qual se
exerce não tiver possibilidade de elevar o grau da sua saúde colectiva, se não
conseguir apurar os seus hábitos de higiene, se não tiver meios materiais e não
dispuser de processos técnicos que lhe assegurem um estado aceitável de
sanidade, se, em suma, a sua situação económica não lhe permitir praticar as
teorias, dar continuidade às práticas e efectivar os seus resultados.
Repare-se em como será inviável a elevação
espiritual de quem não tenha da vida uma concepção diferente da que lhe dá a
preocupação da sobrevivência.
Ora, estas coisas tão simples como todas
as de bom senso preocupam., afinal, quantos sejam conscientes e se encontrem em
Moçambique e fazem que ninguém de boa fé possa admitir a fuga às obrigações que
tais realidades impõem.
Moçambique tem no seu território enormes
capacidades de riqueza, umas conhecidas e muitas apenas adivinhadas, mas
sabendo-se de todas que são mais que suficientes para dar aos seis milhões e
meio que aqui vivem e aos mais que vierem a viver excelentes condições
económicas. Esse potencial tem de ser utilizado. Vai ser utilizado. Se não se
fundasse nesta determinação, nenhuma política se justificaria.
O remédio de todos os males não está no
processo simplista de aumentar salários; o que se impõe é o aumento da produção,
a criação de riqueza, para se enfrentarem então os problemas da sua melhor
distribuição, seja através de salários, seja na participação de lucros, seja
pelo sistema que o povo escolher.
O que tem de haver é aquela certeza acima
referida, generalizada e por todos vivida, de que o homem de Moçambique usará a
riqueza que Moçambique oferece, parecendo-me, por isso, inoportunos certos
rumores de pessimismo, que se manifestam até para condenar iniciativas daqueles
que acreditam no futuro desta sua terra, baseando-se os velhos do Restelo em
que os tempos vão muito maus.
Se os tempos vão muito maus, terão de vir
a ser bons, mesmo contra a vontade de alguns.
[A
Voz de Moçambique, Lourenço Marques, ano IV, nº 96, 28 de Setembro de 1963, p. 10]





