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sábado, 7 de novembro de 2009

Gouvêa Lemos por Luis David


Depois que retornei a ter mais contacto com Moçambique e/ou com pessoas de e em Moçambique, facilitado com o advento da internet, vi pela primeira vez na imprensa moçambicana alguém do meio a reverenciar o nome do jornalista Gouvêa Lemos formalmente.

Quando isso aconteceu já eu vinha a algum tempo tendo contacto com o Luis David, e a mim já me passava toda a sua admiração pelo trabalho e pessoa do GL. Ele e a sua companheira Ana David. A Ana é, inclusive, responsável por hoje eu ter algumas das crônicas que estão e estarão sendo mostradas neste espaço, pois como boa amiga teve a iniciativa de pesquisar e me enviar um valioso material.
A crônica do Luis David aconteceu em um momento não feliz para nós, filhos do GL e da Pim, pois foi quando eu lhe passei a notícia do falecimento da Mãe, quando nos honrou com um belo espelho dos que foram um casal.

Zé Paulo


Um jornalismo que precisamos saber seguir


Não resisto hoje, aqui e agora, a transcrever uma mensagem que me chegou por via das novas tecnologias. Pelo computador. Diz assim: "Maria Madalena Queriol Macieira Moreira de Carvalho Gouvêa de Lemos, viúva do jornalista luso-moçambicano Gouvêa de Lemos, faleceu no dia 4 de Abril de 2000. Madalena, Pim para os amigos da família, faleceu em consequência de um aneurisma cerebral seguido de um colapso cardíaco aos 76 anos, 2 dias depois do vigésimo aniversário do falecimento do seu companheiro António Gouvêa Lemos. Madalena representou a verdade do ditado que diz: "Por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher". Compartilho Madalena com o jornalista e homem Gouvêa Lemos momentos de grande sacrifício em nome da lealdade com os princípios de justiça e de coerência, com os ideais éticos necessários para se ser um jornalista de facto e de direito. Madalena ficou viúva aos 49 anos com cinco filhos para criar. Nunca tinha trabalhado até então mas transformou-se em uma leoa para com muita dignidade criar e preparar a sua prole para a vida. Deixou de ser só Mãe para passar a ser também Pai sem nunca ter deixado de faltar a seu filhos a presença do exemplo que tinha sido o Pai por direito, na sua integridade como ser humano. Como sou feliz por ter tido a sorte de ser filho destes dois PAIS que além de tudo me deram os meus queridos irmãos.".
Infelizmente, esta mensagem não é dirigida a mim. Ou só a mim. Ela é dirigida, e por isso aqui a divulgo, a quantos conheceram e privaram com Gouvêa Lemos e Madalena. É que eu, de Gouvêa Lemos conheço apenas o exemplo, quando ainda aprendiz de jornalista. Ou, neste hoje, o testemunho e a admiração pelo pai sempre presente nas mensagens enviadas pelo filho Zé Paulo, vivendo lá por terras dos brasis e que não conheço pessoalmente, e, também, pelo seu irmão António Maria, que vivendo pelos centros da Europa, já tive o prazer de aboletar em minha casa nesta terra que sendo minha é de todos nós. De quantos, por ela lutaram e lutam com dignidade. Deixo, assim, uma mensagem a Maria Inês Nogueira da Costa e a António Soupa para que acelerem a edição da obra sobre Gouvêa Lemos, com o patrocínio do outro seu amigo Eugénio Lisboa. E, aqui não pode ficar de fora Fernando de Magalhães, o autor do texto "O homem que queria ser jornalista". Como não podem ser esquecidos Malangatana e Ricardo Rangel a par, certamente, de muitos outros que, tendo estado a seu lado quando isso lhes foi útil, enveredaram por caminhos diferentes. Mas, deixemos de lado os medíocre e os oportunistas. Apelemos, então, aos homens bons deste país, aos amigos de Gouvêa Lemos, já citados alguns, para que a cidade da Beira lhe dê nome rua e o Presidente da República o condecore a titulo póstumo como exemplo de jornalista e de um jornalismo que precisamos saber seguir.

* O Luis David é jornalista moçambicano, reponsavel pelo blog "Antes e Depois".
**A imagem é parcial de um quadro do artista plástico Vitor Lemos, irmão do jornalista Gouvêa Lemos.

2 comentários:

  1. Uma pergunta ao Luís e Ana David. Onde e como se pode comprar o livro de Fernando Magalhães; "140 anos de jornalismo em Moçambique" ?

    António Maria

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  2. Começando por te fazer uma invejinha...rsss...
    Eu tenho o livro, que teve como coodenadores a Fátima Ribeiro e o António Sopa.
    Na pagina 131 tem o texto, este sim de autoria do Fernando Magalhães, intitulado: "Gouvêa Lemos: O homem que queria ser jornalista.
    Ele termina o seu texto escrevendo o seguinte:
    "Lembro-me de uma vez lhe ter perguntado na Beira (estavamos no fim dos anos 60) se afinal ele era português ou moçambicano. Disse-me que se estava nas tintas para isso. Que era um jornalista honrado."

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